Quando educadoras começam a pesquisar sobre Family Day Care (FDC) na Austrália, percebem rapidamente que existe pouca informação clara disponível online e, infelizmente, muita desinformação circulando.
Em grupos de Facebook, conversas de WhatsApp e até em sites desatualizados, aparecem ideias que acabam desanimando profissionais qualificadas de seguir esse caminho.
Eu mesma, há alguns anos, acreditei em algumas dessas crenças e quase desisti antes de começar.
Hoje, depois de ter operado meu Family Day Care por cinco anos em Sydney e de ajudar outras educadoras a abrirem os seus, quero esclarecer as 5 ideias que mais impedem brasileiras de dar esse passo.
Crença #1: “Preciso falar inglês fluente para iniciar”
A verdade
Você precisa de inglês, sim. Mas não precisa esperar a fluência para começar.
O mais importante é conseguir se comunicar com clareza com as famílias, acompanhar a documentação do processo e entender as orientações do provedor responsável pelo registro do seu serviço.
O que realmente importa
- Conseguir conversar com as famílias no dia a dia e explicar sua rotina
- Ler e responder e-mails e mensagens com segurança
- Preencher documentos e formulários do processo com atenção
- Comunicar informações sobre o desenvolvimento das crianças
- Ler e aplicar o essencial do EYLF, entendendo o que é esperado do serviço
Nível recomendado: inglês intermediário
Por que essa crença é tão comum
Muitas educadoras acreditam que só podem começar quando se sentirem “100% seguras” no inglês. Mas, na prática, o que pesa mais é a sua postura profissional, sua organização e a confiança que você transmite para as famílias.
Um ponto importante
Muitas famílias brasileiras procuram educadoras que falem português, justamente para que a criança tenha contato com a língua também fora de casa, de forma natural e no dia a dia.
A realidade
Conheço educadoras de diferentes nacionalidades operando Family Day Cares com sucesso. Com a rotina e a prática, o inglês evolui naturalmente, principalmente com o contato constante com as famílias e com as crianças.
Crença #2: “Visto de estudante não permite abrir um Family Day Care”
A verdade
Sim, é possível abrir um Family Day Care mesmo sendo estudante.
O ponto principal é que o processo precisa respeitar as condições do seu visto, especialmente o limite de horas permitido para trabalho.
Se você está no visto de estudante, é importante saber
Você pode ter ABN e operar o serviço, desde que:
- respeite o limite de horas de trabalho permitido pelo seu visto
- tenha a qualificação mínima exigida (no mínimo o Certificate III)
- organize toda a documentação corretamente durante o processo
Por que essa crença é tão comum
Muitas educadoras acreditam que o Family Day Care só é possível depois da residência permanente.
Na prática, o que define se você pode iniciar não é “esperar o PR”, e sim entender o seu visto, suas horas permitidas e como estruturar o processo de forma correta desde o início.
Crença #3: “Preciso de uma casa grande e nova para ser aprovada”
A verdade
O tamanho da casa importa muito menos do que segurança, organização e funcionalidade.
Muitas educadoras imaginam que só conseguem abrir um Family Day Care se tiverem uma casa grande, moderna e com um quintal enorme. Mas, na prática, o que realmente faz diferença é como o espaço está preparado para receber crianças pequenas com segurança e consistência.
Vale considerar também o tipo de imóvel. Em muitos casos, casas mais antigas oferecem mais flexibilidade na hora de pedir autorização ao proprietário e fazer as adaptações necessárias.
O que realmente é avaliado
Na aprovação, o foco está em pontos como:
- segurança do ambiente (portões, cercas, travas e supervisão)
- organização dos espaços onde as crianças ficam ao longo do dia
- proteção solar adequada na área externa
- um ambiente que permita uma rotina segura, com conforto e previsibilidade
No final, o que conta não é o tamanho da casa, e sim se ela está bem estruturada para operar como um Family Day Care.
Área externa
Não existe um tamanho específico. O que faz diferença é ter uma área externa segura, com sombra, onde as crianças possam brincar e explorar com conforto, sem riscos e com um espaço bem organizado para o dia a dia.
Muitas vezes, uma área externa menor, bem organizada e bem pensada, funciona melhor do que uma grande e sem estrutura.
Área interna
A área interna precisa ser organizada para o dia a dia das crianças, com espaços definidos, seguros e funcionais, como:
- um espaço para brincadeiras e atividades
- um espaço para refeições
- um espaço adequado para a soneca
- um cantinho mais calmo para leitura e momentos tranquilos
A realidade
Eu já vi Family Day Cares serem aprovados com casas simples e áreas externas pequenas, desde que o espaço estivesse bem planejado, seguro e alinhado à rotina do serviço.
Crença #4: “Não posso abrir um Family Day Care morando de aluguel”
A verdade
Sim, é possível operar um Family Day Care em uma casa alugada. O ponto principal é ter autorização formal do proprietário.
Essa crença faz muitas educadoras adiarem um plano totalmente possível, principalmente em cidades onde alugar é a realidade da maioria das pessoas.
Como funciona na prática
Durante o processo, o provedor responsável pelo registro do serviço (Scheme) orienta essa etapa e fornece um documento para você apresentar ao proprietário.
O proprietário precisa assinar uma autorização (Landlord Consent) confirmando que está ciente de que o imóvel será utilizado para operar um Family Day Care.
O que você precisa
- Landlord Consent assinado (autorização formal do proprietário)
- Contrato de aluguel válido e estável
- Seguro obrigatório, exigido pelo Scheme para operar o serviço com segurança
Sobre o seguro (e por que isso ajuda na aprovação)
O seguro não é um “extra”. Ele faz parte do processo e é uma exigência para o registro.
Isso costuma tranquilizar o proprietário, porque deixa claro que o serviço será operado de forma regulamentada e com cobertura adequada para o ambiente onde as crianças estarão.
A realidade
Muitas educadoras operam Family Day Care em casas alugadas. Quando a conversa com o proprietário é feita com clareza e profissionalismo, essa etapa costuma ser mais simples do que parece.
Crença #5: “O processo leva muito tempo até o Family Day Care estar pronto para começar”
A verdade
O tempo do processo varia, mas pode ser bem mais curto quando a educadora inicia com a documentação organizada e com as etapas na ordem certa.
No meu caso, da ideia até a primeira criança matriculada foram cinco meses, mesmo tendo iniciado o processo em 2020, em meio à pandemia, aprendendo e estruturando tudo passo a passo, sozinha e com pouca informação disponível.
Por que algumas pessoas levam mais tempo
O processo costuma levar mais tempo quando a educadora começa sem um plano claro e precisa organizar pontos essenciais durante o caminho, como:
- entender a documentação necessária
- definir o local onde o serviço será operado
- escolher o Scheme mais adequado
- organizar o orçamento e as adaptações do espaço
- concluir ou regularizar a qualificação exigida
Quando esses pontos já estão encaminhados desde o início, o processo flui com muito mais consistência.
A realidade
Eu conheço educadoras que chegaram à aprovação em poucos meses, desde a escolha da casa até ter crianças matriculadas.
Também conheço casos em que o Family Day Care ficou registrado e pronto para operar, mas demorou para preencher vagas por falta de planejamento, organização e uma boa estratégia de apresentação do serviço.
O que você precisa para começar com clareza
A combinação que faz diferença não é “inglês perfeito” ou “casa própria”.
O que realmente conta é:
- qualificação reconhecida
- visto com permissão de trabalho
- casa adequada (própria ou alugada com autorização)
- inglês intermediário para acompanhar o processo e se comunicar com as famílias
- organização para seguir as etapas na ordem certa
Com isso bem alinhado, o processo se torna mais claro, mais leve e muito mais rápido de executar.
Próximos passos
Saber que é possível é só o começo. O que faz diferença é ter orientação para organizar o processo com clareza e na ordem certa.
Com isso bem definido, fica muito mais fácil avançar com segurança e com um plano claro.
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Conhece alguma educadora brasileira que ainda tem dúvidas sobre abrir um Family Day Care? Envie este artigo para ela. Uma informação bem explicada pode mudar totalmente a forma como alguém começa.
Sobre a autora: Cintia B Lemm é educadora há mais de 22 anos, com experiência no Brasil e na Austrália. Operou seu próprio Family Day Care em Sydney por 5 anos e hoje orienta educadoras brasileiras que querem abrir o seu serviço com estrutura, organização e aprovação.
Última atualização: Fevereiro 2025
Este conteúdo foi escrito com base em experiências reais e nas exigências atuais do sistema. Para decisões específicas, consulte sempre fontes oficiais.





